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02.12.2011

Centro de Referência em Atenção à Saúde da
Pessoa Idosa presta serviço diferenciado


“Aqui eu me sinto em casa”. É assim que Antonio Jorge de Miranda, de 62 anos de idade, define o Centro de Referência em Atenção à Saúde da Pessoa Idosa de Goiânia (Craspi), onde ele faz tratamento há pelo menos dois anos. Seu Antônio, como é chamado pelos amigos e profissionais da unidade, foi encaminhado para o Craspi devido a problemas de saúde. Foi atendido pelos médicos geriatras, que ainda recomendaram a participação dele nas aulas de educação física, realizadas diariamente no próprio Centro.

Seu Antônio concordou com a proposta. E hoje, dois anos depois, faz parte até do coral montado na unidade. “Faço educação física, participo do coral de idosos e ainda pego aulas de flauta. Sinto-me realizado. Fiz muitos amigos e gosto bastante daqui”. Ele visita o Craspi duas vezes por semana, mas destaca: “Se pudesse, vinha mais vezes!”.

O sentimento de Antônio não é muito diferente do de outros idosos que fazem tratamento na unidade. O Craspi é conhecido por prestar um atendimento humanizado, que vai muito além do simples tratamento médico. A unidade, que foi inaugurada em Goiânia no dia 26 de junho de 2008, na Cidade Jardim, é responsável pelo acompanhamento ambulatorial especializado para o idoso. Além de tratar e prevenir doenças com bastante competência médica, o centro proporciona projetos de reabilitação, grupos terapêuticos e oficinas artísticas e musicais.

“Reinserir o idoso na sociedade, fazê-lo se sentir útil e amenizar os efeitos da solidão é algo muito importante, melhor até que a própria medicação” opina a educadora física Leonice Inácio Ferreira. “Muitos idosos são encaminhados para as aulas de ginástica na unidade por conta da depressão”, exemplifica. Leonice é educadora física no Craspi no período da tarde e atende uma média de sete pacientes por aula. O encaminhamento é feito pelos médicos da própria unidade, que orientam os pacientes a participarem das aulas sempre que preciso. “Os idosos são encaminhados sempre que os profissionais vêem a necessidade das aulas para fortalecimento muscular ou até mesmo motivação da autoestima”, explica a profissional.

A equipe do Craspi é conta com cerca de 65 funcionários, entre geriatras, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, assistentes sociais, fisioterapeutas, profissionais de educação física, psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos, dermatologistas, odontólogo e terapeuta ocupacional. Apesar de atuar em áreas distintas, o que se percebe nesses profissionais é uma integração muito grande. Todos os projetos e grupos que visam estimular a relação entre os idosos, combater a solidão e trazer de volta a vontade de viver são idealizados em conjunto pelos funcionários.

Projetos

“Muitas vezes a única coisa que o idoso precisa é ser ouvido” explica a terapeuta ocupacional Claudia Hanum Sardinha. Ela coordena o grupo Arte e Terapia, que desenvolve uma atividade artística diferente a cada encontro: pintura, desenho, artesanato. Os objetivos principais são estimular os sentidos, trabalhar com a criatividade, garantir autonomia e promover a integração entre os participantes.

Outro grupo criado no Craspi é o Bem Viver, que promove atividades interativas e agradáveis para o idoso. Todo final de mês, por exemplo, eles são convidados a cozinhar em conjunto. Nutricionistas da unidade selecionam receitas simples, direcionadas para a terceira idade e que não pesam no orçamento, sendo fáceis de fazer em casa pelos próprios idosos. Os integrantes do Bem Vivertambém fazem passeios promovidos pela equipe profissional. O grupo já viajou para Hidrolândia, passeou por parques de Goiânia – como o Areião e o Flamboyant – e visitou o Museu do Cerrado.

Sempre que precisam de um ônibus ou van para as visitas são atendidos prontamente pela equipe administrativa da Secretaria Municipal de Saúde, que colabora da melhor forma possível com todos os projetos. Rosária Inácia de Vieira tem 76 anos, faz parte do grupo Bem Viver e já foi em todos os passeios. “Eles passeiam muito com a gente e o tratamento é ótimo.” avalia a usuária, que está no Craspi há oito meses, desde que foi encaminhada para aulas de educação física.

E os grupos do Craspi não param por aí: tem ainda a Roda de Conversa, o Grupo de Memória (que promove atividades para estimular a memória dos idosos), Grupo de Flauta Doce, Grupo da Ioga Terapia (que dá aulas semanais de ioga, proporcionando relaxamento aos participantes); além de encontros semanais que discutem assuntos mais sérios, como o Tabagismo e a Diabetes. Além de todos os grupos, o Craspi também promove palestras educativas, com temas pertinentes ao cotidiano dos idosos, como deglutição, prevenção a quedas, alimentação saudável e outros.

Para fazer parte de todos esses projetos, o idoso deve ser encaminhado por médicos de outras unidades de Goiânia, como Cais e Ciams. Somente depois de ser atendido na rede pública é que os médicos definem se o usuário deve ou não ser encaminhado para o Craspi, onde ele é atendido até completar o tratamento. Mas depois de tanto carinho e cuidado na vida de cada um dos pacientes, tanto na saúde física quanto no bem estar, o difícil é querer ir embora. Dona Coraci Cândida de Deus, de 73 anos, que o diga. “Este lugar é uma bênção. Parece até casa de mãe”.

SMS desenvolve diversas ações
em prol da população idosa

O Dia Nacional e Internacional do Idoso é comemorado em 1º de outubro, data que não deve passar despercebida: a terceira idade é a parcela da população que mais cresce em todo o mundo e a que mais necessita de políticas públicas para a saúde. Em todo o Brasil são quase 21 milhões de idosos, 70% deles usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Somente em Goiânia, de acordo com o último Censo, 9,57% da população (124.682 habitantes) eram idosos.

É pensando nessa parcela tão significativa da população que a Secretaria Municipal de Saúde desenvolve o Programa de Atenção à Saúde do Idoso, através da divisão de Doenças Crônico Degenerativas. Cerca de 150 unidades de saúde na Grande Goiânia participam do programa, além do Centro de Referência em Atenção à Saúde da Pessoa Idosa, o Craspi.

Entre os principais projetos desenvolvidos pela divisão está a capacitação de profissionais da saúde e da população em geral para os cuidados com a pessoa idosa. Um exemplo é o curso de Cuidadores de Idosos, aberto à população, que teve início no Distrito Norte de Goiânia, no ano passado. Neste segundo semestre de 2011, o curso está sendo ministrado no Craspi. “É destinado às pessoas leigas que tem doentes acamados, geralmente os próprios familiares dos idosos. Nós fazemos uma capacitação com aulas teóricas – oito encontros –, nas quais ensinamos os cuidados básicos da vida diária na terceira idade”, explica Adacy Macedo, chefe da Divisão de Doenças Crônicas e Degenerativas.

Ações educativas

Outra iniciativa da Secretaria é a distribuição de material educativo. Para a população em geral são distribuídos folders e panfletos, com orientações e dicas para a garantia de uma vida saudável na terceira idade. Já os servidores municipais da saúde recebem um livro completo, o Caderno de Atenção Básico n. 19, que traz informações técnicas que um profissional de saúde precisa ter em mente na hora de atender o paciente idoso. Cartazes e banners também são desenvolvidos e espalhados pelas Unidades de Saúde de Goiânia, com o objetivo de educar sobre a saúde na terceira idade.

Apesar da importância das campanhas educativas, o material considerado fundamental no dia a dia de qualquer usuário com mais de 60 anos é a Caderneta do Idoso, implantada em Goiânia em 2009. O documento é pessoal e serve para registrar as condições de saúde do portador (histórico da pressão arterial, por exemplo) com o objetivo de facilitar o acompanhamento médico nas consultas. A cada encontro com o médico, a caderneta individual é avaliada e atualizada com o novo quadro clínico.

Eventos

Além dos projetos em prol da saúde do idoso, a secretaria também desenvolve parcerias com a Rede Nacional de Proteção e Direitos da Pessoa Idosa em Goiás, a Renade. No dia 1º deste mês, foi realizado um grande evento no Parque Flamboyant, em Goiânia, resultado dessa parceria. Entre as atividades promovidas estavam atendimentos jurídicos, psicológicos, aferição de pressão, avaliação física, apresentações culturais, piquenique coletivo e baile. Eventos como estes são realizados sempre que possível pela SMS, com o intuito de promover, além da assistência médica necessária, a integração social do idoso.



Texto:
Felipe D’Stefani



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