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17.01.2012

Conhecer fatores de risco é fundamental
para evitar o AVC


O acidente vascular cerebral, conhecido popularmente como Derrame, é considerado, no Brasil, a maior causa de mortes e incapacidade de adultos. De acordo com a Organização Mundial de AVC, 15 milhões de pessoas têm a doença cada ano, e seis milhões destas não sobrevivem. No Brasil, são registrados cerca de 90 mil óbitos por doenças cardiovasculares atodos os anos.

Só em 2009, o Sistema Único de Saúde, o SUS, registrou 169.453 internações por AVC e um investimento de quase 190 milhões de reais para o tratamento clínico dos pacientes.A última atualização de dados sobre a doença, levantada pelo ministério da saúde, revelou que no ano retrasado o AVC matou quatro pessoas por dia no Estado de Goiás. Os números assustam e a informação é o primeiro passo para diminuí-los.

O AVC pode ser causado tanto pela obstrução de vasos, impedindo a chegada de sangue a determinadas regiões do cérebro, quanto pelo rompimento de um vaso cerebral, levando à hemorragia. O primeiro é chamado de AVC Isquêmico e o segundo,Hemorrágico.

O médico neurologista, Marco Túlio Padatella, explica que o AVC pode acontecer em qualquer pessoa, mas existem fatores de risco que não podem ser mudados, como idade, raça e sexo. A doença é mais comum entre pessoas do sexo masculino, negras e idosas. No entanto, existem fatores de risco modificáveis, ou seja, que podem ser controlados para evitar a doença. São eles: hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, entre outros.

Tratamento

Quanto ao tratamento, o paciente com AVC Isquêmico pode receber um medicamento que consegue desobstruir o vaso na fase aguda, até quatro horas e meio depois do momento em que começaram os sintomas. Este tratamento, chamado de Trombólise, é o único efetivo aprovado para o AVC e aumenta muito as chances de recuperação da pessoa. A droga ainda não está disponível na rede pública, e na rede privada ela custa em torno de dois mil reais o frasco. Marco Túlio explica que o gasto médio dos pacientes em reabilitação é de, no mínimo, seis mil reais. Dessa forma, é possível concluir que uso do medicamento é mais vantajoso, já que, além de mais barato, garante que o paciente continue produtivo em menor tempo e com menor risco de complicações.

O AVC hemorrágico, ao contrário do Isquêmico, não pode ser controlado com remédios. Quando o paciente chega ao hospital com este quadro clínico, ele é internado para que imediatamente a pressão seja controlada. Este é o primeiro passo, porque na maioria dos casos de AVC a pressão sobe e isso pode aumentar a área de sangramento.

Marco Túlio destaca a importância de reconhecer rapidamente os sintomas da doença, já que as ações médicas devem ser realizadas num período curto. De acordo com ele, existem sinais básicos que identificam uma pessoa com AVC.

Sinais de AVC

- Alteração da força ou da sensibilidade, de um ou de ambos os lados do corpo;

- Dor de cabeça súbita e muito intensa;

- Alteração da visão de um ou ambos os olhos;

- Alteração do eixo de equilíbrio;

- Dificuldade em articular as palavras.

Os médicos geralmente adotam três medidas primárias de identificação dos sintomas, numa escala pré-hospitalar, fazendo referência à sigla do SAMU. A letra S indica que o médico deve pedir que o paciente dê um sorriso e observar se a boca apresenta irregularidade. A letra A refere-se ao abraço, e pode revelar alteração da força do paciente. O M sugere que o paciente cante uma música, para que o médico perceba se há dificuldade na fala. Se os três últimos sinais citados forem apresentados pela pessoa, a letra U indica a urgência do caso e a necessidade de se chamar o SAMU. Depois destes procedimentos, o paciente é levado e encaminhado para um neurologista.

Terapia para seqüelas

O Acidente Vascular Cerebral pode deixar sequelas, sendo que estas dependem muito da localização e do tamanho da lesão. “Uma lesão grande às vezes pode levar a uma consequência menor, enquanto uma lesão menor pode gerar uma sequela e um comprometimento grave, depende do paciente”, afirma Marco Túlio. As complicações mais comuns são essas: perda de força e alteração da sensibilidade e da fala. A maioria dos pacientes perde parte do controle motor.

Marco Túlio explica que não existe um remédio que cure o neurônio afetado. Dessa forma, o paciente tem que partir para as terapias de reabilitação, como: fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, etc. “É importante que exista um trabalho conjunto destas áreas para a reabilitação do paciente”, destaca.

A Organização Mundial da Saúde, a OMS, estabeleceu o Dia Mundial do AVC, comemorado no dia 29 de outubro. O objetivo é conscientizar a população dos fatores de risco e como controlá-los, além de orientar o reconhecimento dos sintomas. Para a campanha deste ano, a Organização Mundial do AVC escolheu como tema “Um em Cada Seis”, sob o argumento de que a cada seis segundos alguém em algum lugar do mundo morre em consequência do AVC, independentemente da idade ou sexo.



Texto:
Danielen Gonçalves



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